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Fiesp e Ciesp entregam a presidenciáveis propostas para o desenvolvimento do Brasil04/10/2018Estudo tem como meta elevar o ritmo de crescimento do PIB brasileiro para 4,4% a.a. entre 2025 e 2030

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp e o Ciesp entregaram aos candidatos à Presidência da República documento intitulado O desafio de posicionar o Brasil na rota do desenvolvimento, com um amplo conjunto de análises e propostas que objetivam contribuir para a elaboração de um olhar de futuro para a economia brasileira. O estudo tem como meta elevar sensivelmente o ritmo de crescimento econômico brasileiro, levando a expansão do PIB para em média 4,0% a.a. entre 2019 e 2024 e 4,4% a.a. entre 2025 e 2030.

A ideia é que isso seja feito redirecionando a economia brasileira para uma rota de crescimento sustentável. A adoção de uma meta desse tipo é importante, principalmente, como elemento de partida para a definição de estratégias e de medidas de políticas públicas, orientando os esforços do setor público e de toda a sociedade. A execução dessa meta, por sua vez, dependerá do aumento do investimento para 22% do PIB e também do aumento da produtividade da economia, com a ampliação da participação da indústria de transformação e maior eficiência da economia como um todo.

Na apresentação do trabalho, o presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, José Ricardo Roriz, destaca que o Brasil precisa dar às empresas “capacidade de investimento para gerar empregos de boa qualidade, para as famílias terem poder de consumo e qualidade de vida, o que deve refletir em uma significativa melhora nos indicadores sociais”.

Alguns aspectos são pré-condições para viabilizar o cumprimento dessa meta. Sem um plano de desenvolvimento que corrija os problemas estruturais da economia brasileira, nos quais está inserida não apenas a questão fiscal, mas toda política macroeconômica e outros temas fundamentais (infraestrutura, crédito, tributação, burocracia, tecnologia, capital humano etc), o cenário provável é de baixo crescimento econômico no longo prazo e distanciamento cada vez maior em relação ao nível médio de renda dos países desenvolvidos.

Nos anos iniciais do próximo governo, alguns desafios deverão ser enfrentados com bastante atenção. O primeiro se refere à crise fiscal ainda presente e à dificuldade de cumprir algumas regras já no início do próximo mandato, como a norma do teto dos gastos. Tais dificuldades demonstram a urgência em executar as principais reformas, como a da Previdência e a tributária, firmando um compromisso permanente com o equilíbrio fiscal. Da mesma forma, outras medidas que favoreçam o crescimento, como redução do spread bancário e ampla agenda de investimento em infraestrutura, têm que ser implementadas para que a capacidade ociosa da economia seja aproveitada e se inicie um ciclo de crescimento robusto.

Mas ainda que no curto prazo seja importante nos debruçarmos sobre questões que nos levaram à recessão, como o desequilíbrio fiscal, e as consequências sobre a população e empresas em termos de retração da renda e do investimento, também o contexto em que a economia mundial se encontrará até 2030 é importante para o olhar de longo prazo que esse estudo se propõe. Nesse aspecto, as mudanças trazidas pelas Macrotendências e pela 4ª Revolução Industrial são de grande importância.

As formas de produzir, consumir, de se locomover e se relacionar serão intensamente impactadas pelas tecnologias que integram a Indústria 4.0. Será cada vez mais comum que tecnologias como big data, computação em nuvem, internet das coisas (IoT), impressão 3D e outras formas de manufatura aditiva, inteligência artificial, digitalização e realidade aumentada façam parte da realidade de empresas e consumidores. E, considerando o impacto positivo sobre a produtividade que essas tecnologias propiciarão, é fundamental que os formuladores de políticas públicas direcionem esforços para que o Brasil consiga usufruir desse desenvolvimento tecnológico.

É preciso ter claro que os países desenvolvidos estão muito empenhados na implementação de políticas para a modernização da indústria. E mesmo que os países tenham diferentes objetivos ao pensar seus programas para a Indústria 4.0, é certo que todos eles passam pelo fortalecimento de seu parque industrial, o que nos coloca mais um desafio: solucionar nossas deficiências de ambiente de negócios e nosso desequilíbrio macroeconômico para que as políticas de aumento da produtividade industrial, e consequentemente da economia, sejam efetivas.

E além da dinâmica produtiva, também as demandas da população mundial estão se transformando a uma velocidade cada vez maior, o que exigirá grandes esforços para que a economia brasileira consiga competir e aproveitar as oportunidades dessa nova realidade. No aspecto internacional, destacam-se entre as principais mudanças até 2030 o crescimento das economias de renda média, com destaque para Leste e Sul da Ásia, o crescimento da população mundial, que se dará principalmente nas regiões mais pobres, e o crescimento da renda per capita, que deve alterar o padrão de consumo e criar desafios e oportunidades para mudanças substanciais nos padrões de produção.

Por exemplo, se por um lado o crescimento populacional levará ao aumento na demanda por alimentos nos países menos desenvolvidos (como os da África Subsaariana), o aumento de renda no Leste Asiático e Pacífico impulsionará a procura por produtos manufaturados sofisticados. Em resumo, o próximo governo terá o desafio de superar as dificuldades de curto prazo sem perder a perspectiva das rápidas mudanças que estão ocorrendo no mundo em termos de demanda mundial e novas tecnologias aplicadas no sistema de produção. A forma como o Brasil enfrentará as mudanças definirá se o país terá condições de aproveitar as oportunidades ou se vai se distanciar ainda mais dos países desenvolvidos. É necessário diminuir a presença do Estado e aumentar a qualidade e a eficiência do setor público e melhorar o ambiente de negócios, criando condições para aumentar a competitividade do setor privado, através de soluções de mercado, que serão a chave para que o país aumente os investimentos e crie empregos – e a renda volte a crescer.

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