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ARTIGO: O “S” DA SIGLA ESG11/05/2022Os artigos assinados não necessariamente expressam a visão das entidades da indústria (Fiesp/Ciesp/Sesi/Senai). As opiniões expressas no texto são de inteira responsabilidade do autor
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*Por Rafael Cervone

Um estudo recente feito com 21 mil alunos das escolas públicas paulistas mostrou que as deficiências do ensino no período da pandemia nos trouxeram um impacto equivalente a 07 anos de retrocesso na educação de crianças e adolescentes. Um verdadeiro “apagão educacional”.

A notícia foi um banho de água fria para todos nós do Ciesp, que tanto idealizamos e trabalhamos por um futuro melhor, não só para a indústria, mas também para o país. Este imenso desafio que aflige a nós e nossos jovens, bem como a forma como lidamos com ele, é um exemplo prático sobre a função do S na sigla ESG (Enviromental, Social and Governance), cada vez mais difundida como uma linha das boas práticas que devem ser adotadas pelas melhores marcas do mundo.

Falar em ESG não é olhar apenas para a questão ambiental. O conceito de “S” ou “Social” é bastante amplo e vai desde a valorização da saúde e segurança dos nossos colaboradores, até o comprometimento com a defesa contínua dos direitos humanos e o respeito às leis trabalhistas, passando pela proteção de dados e privacidade, mas também dando atenção à melhor forma de trabalharmos com a inclusão social, levando em conta a diversidade cultural, de gênero e de idade. Mas este princípio também engloba o relacionamento com o nosso entorno e com a sociedade.  Adotar causas sociais em que acreditamos e que façam a diferença para a sociedade fortalecem o nosso “S”.

Retomando o problema do déficit escolar acelerado devido à pandemia, temos a educação como um exemplo perfeito neste quesito. Apesar de haver políticas públicas sobre o tema, sabemos das lacunas profundas e históricas ligadas à educação das nossas crianças e jovens brasileiros.
No Estado de São Paulo, por meio da estrutura de nossas escolas da rede Sesi, temos formado 97 mil alunos num universo de 6 milhões de estudantes paulistas. É importante dizer que, desde os tempos da gestão Paulo Skaf, também apoiamos a rede pública de ensino com investimentos em estrutura e professores. Mas profundamente tocados pelo quadro atual, concluímos que podemos e devemos fazer muito mais.

Dessa forma, em conjunto com a Fiesp, decidimos implantar um novo projeto ainda mais ousado, envolvendo Sesi e Senai, para apoiar o poder público em ações efetivas e neste grande esforço coletivo para tentarmos reverter este terrível “gap”.

Nos reunimos com respeitadas fundações voltadas à educação, como a Ayrton Senna, Roberto Marinho, Lemann, Natura e Boticário, para traçarmos ações conjuntas. Nossa meta é alcançar 2 milhões de alunos em dois anos.

A família Marinho nos cedeu o professor Wilson Risolia, que hoje veio para a estrutura Fiesp/Ciesp justamente para coordenar este grande projeto em conjunto com a direção do Sesi e do Senai. Risolia estava à frente da Secretaria de Estado da Educação do Rio de Janeiro, quando o estado fluminense conseguiu um avanço importantíssimo, passando de penúltimo lugar para o 3º lugar no ranking de educação nacional em um período de dois anos.
Cito estes detalhes todos apenas para demonstrar o tamanho do nosso envolvimento com o projeto e o quanto acreditamos nesta causa. Trata-se de algo mais elaborado e profundo, que foge ao senso comum de efetivar doações com o cunho assistencialista, o que tem sido bastante questionado quando falamos em projetos de Responsabilidade Social.

Lembro aqui também que ao nos envolvermos com este tipo de causa, sem sombra de dúvida, estamos alinhados com os anseios do mundo, dos nossos consumidores e investidores. Uma pesquisa global Mckinsey mostrou que 97% dos entrevistados esperam que as marcas ajudem a solucionar problemas sociais. Mas é muito mais.

Tudo isso também tem a ver com inteligência e sensibilidade. Nossas indústrias estão absolutamente imersas no contexto de vida da nossa população. Não há como separar as coisas, nem como nos omitirmos. Todos os déficits sociais impactam, ainda que indiretamente, no nosso próprio crescimento como indústria. Não é possível não nos sensibilizarmos com o fato de que os problemas no nosso entorno nos afetam e também à sociedade.

Desenvolver um olhar social e liderarmos um audacioso projeto de mudança tem a ver, sim, com reputação, com princípios ESG e competitividade no mercado, mas também com uma forma corajosa, ainda mais colaborativa e transformadora de nos engajarmos e influenciarmos agora, nos caminhos que o planeta trilha.

*Rafael Cervone, engenheiro e empresário, é presidente do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP).
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